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Poema de Santa Oria

 

Verbete

Produzido por Isabel Ilzarbe - Universidad de La Rioja Poema de Santa Oria
 
Santa Áurea corresponde a um modelo completamente diferente daquele dos santos cujos relatos hagiográficos foram gerados no âmbito monástico beneditino, apesar do claro componente ascético da vida da protagonista na narração da primeira fonte preservada que se refere à ela: o Poema de Santa Oria de Gonzalo de Berceo. ¹ Embora o próprio poeta aluda a uma Vita em latim dedicada a narrar a trajetória da santa, escrita por um monge de São Milão de Cogolla chamado Muño, o texto original se perdeu. ²

Conservamos um único texto manuscrito da época medieval, copiado no século XIV. Atualmente está arquivado na Biblioteca da Real Academia Espanhola como parte de um códice unitário, junto com outras obras do poeta riojano. Isabel Uría, que fez a edição crítica mais completa da obra, encontrou também três cópias do século XVIII, todas retiradas do manuscrito RAE (Sra. 4). Uma delas encontra-se na chamada Cópia de Ibarreta, preservada no Ms. 93 da Biblioteca Monástica de Silos. Outra foi feita pelo beneditino Diego de Mecolaeta, abade de São Milão entre 1737 e 1742, conservada na biblioteca particular de Dom Bartolomé March Servera. Desta cópia, Dom Tomás de Iriarte fez mais uma na Biblioteca Nacional de Madrid (ms. 18577/16=G).

Através da obra de Berceo, sabemos que Áurea era natural de Villavelayo, localidade situada em La Rioja e pertencente à comarca do Alto Najerilla, e que seus pais se chamavam García e Amuña. Podemos interpretar ademais que procedia de uma família mais ou menos acomodada, o que lhe permitiu ter acesso a uma formação e a um nível cultural, presumivelmente alto, para o que se pressupunha para uma mulher no século XI.³ Segundo este relato, lia com frequência as vidas de santos,⁴ e contou com uma mestra, chamada Urraca:

Uma mestra houve de muita santa vida, Urraca lhe disseram, mulher bem íntegra, emparedada entreviu uma boa partida, era mestra de Áurea muito querida.⁵

Aos 9 anos, movida pela influência de sua mestra, tomou a decisão de recluir-se em São Milão de Cogolla, junto com sua mãe. Lá permaneceria emparedada até o dia de sua morte, e de sua cela teria narrado suas visões a Muño, autor de sua biografia em latim. Nos últimos anos de sua vida, ⁶ Áurea relatou três visões. Durante a primeira delas, a emparedada é levada ao paraíso, até onde guiam-lhe as mártires Águeda de Catania, Eulália de Mérida e Santa Cecília. Uma vez lá, a jovem reconhecerá vários personagens do seu entorno familiar e próximo, chegando a perguntar inclusive por sua mestra, Urraca, que segundo a resposta de seus guias, “é nossa companheira e nossa hóspede,/ como é Justa sua discípula, serva do Criador”.⁷ A presença de sua mestra no céu, juntamente com as alusões à santidade de sua vida, podem ser interpretadas como uma espécie de reforço da própria condição de santa atribuída à jovem Áurea.

Além dos diálogos com as pessoas de seu entorno imediato, que constituem o que García Turza definiu como "uma evocação carinhosa de Villavelayo",⁸ chama a atenção não só a presença de grandes personagens relacionados com São Milão de Cogolla, como os bispos e abades emilianenses Dom Sancho e Dom García, mas também a ausência do Abade Dom Gómez, que ocupou o cargo entre 1037 e 1046, coincidindo com o reinado de García Sánchez III. Áurea, surpreendida com tal ausência, pergunta dele às santas que a acompanham em sua jornada celestial: Disseram-lhe as mártires a Áurea a serrana: “O bispo Dom Gómez não está aqui, irmã, porém trouxe mitra o que foi coisa muito natural, tal foi como a árvore que floresce e não grana.”⁹

É preciso recordar neste momento dois episódios, nos quais o papel de García Sánchez III está indiscutivelmente associado a práticas questionáveis a respeito do mosteiro emilianense: o conflito com Santo Domingo de Silos quando este ainda ocupava o cargo de prior, e a falha na transferência das relíquias de São Milão. É preciso assinalar que tal resposta sobre a ausência de méritos reais do abade e bispo de Calahorra Dom Gómez por ter ascendido ao paraíso, se insere perfeitamente na política emiliana de desprestígio da memória coletiva sobre este rei de Pamplona.

A segunda visão de Áurea compreende a visita da Virgem Maria, precedida de um cortejo luminoso de virgens. Em geral, este episódio segue o esquema clássico de qualquer revelação narrada em fontes hagiográficas: a vidente expressa suas dúvidas e seu medo de ser enganada, para a qual pede um sinal que a ajude a verificar que o que está vivendo é real; como resposta, lhe é revelado algo sobre seu futuro imediato. No caso que nos ocupa, será anunciado que ela ficará doente e perecerá, porém mais tarde alcançará a salvação como prêmio por sua vida ascética. ¹⁰ A terceira visão precederá a morte de Santa Áurea e seu enterro em São Milão de Cogolla, e em seu curso será transportada para o Monte das Oliveiras. ¹¹ As revelações sobre a própria morte e santidade do vidente são conteúdos recorrentes: São Domingos teve duas visões nas quais foram reveladas a ele tanto o momento de sua morte como sua salvação e muito tempo antes o mesmo aconteceu com São Milão.

A principal diferença em relação a outros casos reside em uma questão fundamental para a hagiografia medieval: no Poema não se registram milagres operados pela intercessão de Áurea, nem em vida nem depois de sua morte, exceto pelas visões vividas pela própria santa individualmente e que devem ter sido narradas ao monge Muño, que as recolhia por escrito. Não se trata, portanto, de una santa taumaturga, protetora, libertadora nem guerreira, e nem sequer narra-se uma luta contra as tentações ou contra o mal. Estamos diante de um relato em que a personalidade da protagonista parece conectar-se com as figuras dos místicos modernos, em que as visões e revelações ocupam um lugar fundamental. Ademais, fornece pouquíssimos dados sobre a vida da santa protagonista. Parece, portanto, que se trata mais de uma obra enquadrada no gênero medieval da literatura de visões do que na das vidas de santos.

Para Isabel Uría, esta clara diferenciação quanto aos conteúdos de uma e outras composições do autor, somada ao fato de que no caso da história de santa Áurea, Berceo não divide sua obra em três partes claramente diferenciadas, o que ocasiona que seja preciso renomear esta obra como Poema de santa Oria em vez de, como sua versão tradicional, intitulada como Vida de santa Oria. ¹² O argumento da composição tripartida dos outros dois exemplos de vidas escritos por Gonzalo de Berceo parece, no entanto, problemático. Em um trabalho recente, J.R. González respondeu levantando as dificuldades que uma afirmação categórica a esse respeito implicava, enfatizando as múltiplas possibilidades que outros autores como Baños Vallejo levantaram. Assim, tendo em conta as distintas formas de interpretar a estrutura de seus conteúdos, concluiu que não era possível fazer uma diferenciação tão clara somente a partir da estrutura da obra.¹³

A margem desta questão, os conteúdos hagiográficos do poema guardam uma estreita relação com outras fontes hagiográficas do tipo vitae. Acredito que não podemos fazer uma distinção entre as visões de Áurea e o desenvolvimento de sua vida como emparedada já que supõem uma parte fundamental da mesma, como argumento para difundir a santidade venerável de Áurea.¹⁴ Corresponde assim ao arquétipo da sagrada virgem definido por Nieto Pérez.¹⁵

A vida e as visões de Santa Áurea foram reunidas em numerosas obras posteriores a Berceo, e nelas não haverá grandes variações quanto ao conteúdo de sua história. Atualmente é celebrada como a padroeira de Villavelayo, local onde foi entregue uma de suas relíquias por ocasião da transferência de seus restos mortais para a igreja de Yuso em 1609. Por ocasião da chegada de tão precioso tesouro, foi construída uma ermida no local que a tradição indicava como o solar em que existiu sua casa familiar.

Santa Oria responde a un modelo completamente distinto al de los santos cuyos relatos hagiográficos se generaron en el ámbito monástico benedictino, a pesar del claro componente ascético de la vida de la protagonista en la narración de la primera fuente conservada en la que se alude a ella: el Poema de Santa Oria de Gonzalo de Berceo¹⁶. Aunque el propio poeta alude a una Vita en latín dedicada a narrar la trayectoria de la santa, escrita por un monje de San Millán de la Cogolla llamado Muño, el texto original se ha perdido¹⁷.

Conservamos un único texto manuscrito de época medieval, copiado en el siglo XIV. Actualmente se conserva en la Biblioteca de la Real Academia Española como parte de un códice unitario, junto con otras obras del poeta riojano. Isabel Uría, quien realizó la edición crítica más completa de la obra, localiza además tres copias del siglo XVIII, sacadas todas ellas del manuscrito de la RAE (Ms. 4). Una de ellas se encuentra en la llamada Copia de Ibarreta, conservada en el Ms. 93 de la Biblioteca Monástica de Silos. Otra fue hecha por el benedictino Diego de Mecolaeta, abad de San Millán entre 1737 y 1742, conservada en la biblioteca particular de don Bartolomé March Servera. De esta copia, don Tomás de Iriarte sacó otra en la Biblioteca Nacional de Madrid (ms.18577/16=G).

A través de la obra de Berceo sabemos que Oria era natural de Villavelayo, localidad situada en La Rioja y perteneciente a la comarca del Alto Najerilla, y que sus padres se llamaban García y Amuña. Podemos interpretar además que procedía de una familia más o menos acomodada, lo que le permitió acceder a una formación y un nivel cultural presumiblemente alto para el que se presupone a una mujer en el siglo XI¹⁸. Según este relato, leía con frecuencia vidas de santos¹⁹, y contó con una maestra, llamada Urraca:

Una maestra ovo de mucha sancta vida, Urraca li dixieron, mujer buena complida, emparedada visco una buena partida, era de la maestra Oria mucho querida²⁰.

A la edad de 9 años, movida por la influencia de su maestra, tomó la decisión de recluirse en San Millán de la Cogolla, junto con su madre. Allí permanecería emparedada hasta el día de su muerte, y desde su celda habría narrado sus visiones a Muño, autor de su biografía en latín.

En los últimos años de su vida²¹, Oria relató tres visiones. Durante la primera de ellas, la emparedada es llevada al paraíso, hasta donde le guían las mártires Águeda de Catania, Eulalia de Mérida y santa Cecilia. Una vez allí, la joven reconocerá a varios personajes de su entorno familiar y cercano, llegando a preguntar incluso por su maestra, Urraca, que según la respuesta de sus guías, “compañera es nuestra e nuestra morador,con Justa su discípula, sierva del Criador”²². La presencia de su maestra en el cielo, junto con las alusiones a la santidad de su vida, pueden interpretarse como una suerte de refuerzo de la propia condición de santa atribuida a la joven Oria.

Además de los diálogos con las gentes de su entorno cercano, que conforman lo que García Turza ha definido como “una evocación entrañable de Villavelayo”²³, resulta llamativa no solo la presencia de grandes personajes relacionados con San Millán de la Cogolla, como los obispos y abades emilianenses don Sancho y don García²⁴, sino también la ausencia del abad don Gómez, que ocupó el cargo entre 1037 y 1046, coincidiendo con el reinado de García Sánchez III. Oria, sorprendida ante tal ausencia, pregunta por él a las santas que le acompañan en su recorrido celestial:

Dixiéronli las mártires a Oria la serrana: “El obispo don Gómez non es aquí, hermana, pero que traxo mitra fue cosa mucho llana, tal fue como el árbol que florez e non grana.”²⁵

Es preciso recordar en este momento dos episodios, en los que el papel de García Sánchez III queda indiscutiblemente asociado a prácticas cuestionables respecto al cenobio emilianense: el conflicto con santo Domingo de Silos cuando aún ostentaba el cargo de prior, y la fallida traslación de las reliquias de san Millán. Es preciso apuntar a que semejante respuesta sobre la ausencia de méritos reales del abad y obispo de Calahorra don Gómez para haber ascendido al paraíso queda perfectamente insertado en la política emilianense de desprestigio del recuerdo colectivo sobre este rey pamplonés.

La segunda visión de Oria comprende la visita de la Virgen María, precedida de un cortejo luminoso de vírgenes. En general, este episodio sigue el esquema clásico de cualquier revelación narrada en las fuentes hagiográficas: la vidente expresa sus dudas y su temor a estar siendo engañada, por lo que pide una señal que le ayude a verificar que lo que está viviendo es real; como respuesta, le es revelado algo sobre su futuro inmediato. En el caso que nos ocupa, se le anunciará que caerá enferma y fallecerá, pero alcanzará después la salvación como premio a su vida ascética²⁶. La tercera visión precederá a la muerte de santa Oria y a su entierro en San Millán de la Cogolla, y en su transcurso será transportada al monte de los Olivos²⁷. Las revelaciones sobre la propia muerte y santidad del vidente son contenidos recurrentes: santo Domingo tuvo dos visiones en las que se le revelaron tanto el momento de su muerte como su salvación, y mucho tiempo antes le sucedió lo mismo a san Millán.

La principal diferencia respecto al otros casos reside en una cuestión fundamental para la hagiografía medieval: en el Poema no se registran milagros obrados por la intercesión de Oria, ni en vida ni tras su fallecimiento, salvo las visiones vividas por la propia santa de forma individual y que debió narrar al monje Muño, que las recogió por escrito. No se trata por tanto de una santa taumaturga, protectora, liberadora ni guerrera, y ni siquiera se narra una lucha con las tentaciones o con el mal. Estamos ante un relato en el que la personalidad de la protagonista parece conectarse con las figuras de los místicos modernos, en los que las visiones y revelaciones ocupan un lugar fundamental. Aporta además muy pocos datos sobre la vida de la santa protagonista. Pareciera por tanto que se trata más bien de una obra encuadrada en el género medieval de la literatura de visiones más que en el de las vidas de santos.

Para Isabel Uría, esta clara diferenciación en cuanto a los contenidos de una y otras composiciones del autor, sumada a que en el caso de la historia de santa Oria Berceo no divide su obra en tres partes claramente diferenciadas, motiva que sea preciso retitular esta obra como Poema de santa Oria en lugar de la, en su momento tradicional, titulación como Vida de santa Oria²⁸. El argumento de la composición tripartita de los otros dos ejemplos de vidas escritos por Gonzalo de Berceo parece, sin embargo, problemático. En un reciente trabajo, J.R. González respondió planteando las dificultades que una afirmación categórica al respecto conllevaba, haciendo énfasis en las múltiples posibilidades que habían planteado otros autores como Baños Vallejo. Así, teniendo en cuenta las distintas formas de interpretar la estructura de sus contenidos, concluyó que no era posible hacer una diferenciación tan clara atendiendo solo a la estructura de la obra²⁹.

Al margen de esta cuestión, los contenidos hagiográficos del poema guardan una estrecha relación con otras fuentes hagiográficas del tipo vitae. Creo que no podemos hacer una distinción entre las visiones de Oria y el desarrollo de su vida como emparedada ya que suponen una parte fundamental de la misma como argumento para difundir la santidad venerable de Oria³⁰. Responde así al arquetipo de la santa virgen definido por Nieto Pérez³¹.

La vida y visiones de santa Oria fueron recogidas en numerosas obras posteriores a Berceo, y en ellas no van a producirse grandes variaciones en cuanto al contenido de su historia. Actualmente, es celebrada como patrona de Villavelayo, lugar al que se entregó una de sus reliquias con motivo del traslado de sus restos mortales a la iglesia de Yuso en 1609. Con motivo de la llegada de tan preciado tesoro, se construyó una ermita en el lugar que la tradición señalaba como el solar en el que existió su casa familiar.

¹ Seguiremos el texto editado por Uria Maqua, Isabel, 1992, Gonzalo de Breceo. Obra Completa, Madrid: Espasa Calpe. Disponible en http://www.vallenajerilla.com/berceo/uria/notaintroductoria.htm (última consulta 02/08/2020).
² En general, no se duda de la existencia de este testimonio desaparecido. Uría Maqua identificó como autor al scriba politor mencionado junto a otros notables del monasterio, como el abad Blas, en la inscripción visible en el arca de las reliquias de san Millán. Uría Maqua, Isabel, 1981 (consultamos la versión disponible en http://www.vallenajerilla.com/notabene/uria.htm; última consulta 21/07/2020). La alusión a la fuente latina le sirve a Barceo además para dar mayor veracidad a su reinterpretación del relato sobre santa Oria. García Turza, 2020, pp. 99-100. Al margen de las consideraciones sobre la Vita perdida, resulta de especial interés el estudio de Walsh sobre la relación entre el Poema de Santa Oria y la Vida de Santa Eugenia. Walsh, John K., “A Possible Source for Berceo's Vida de Santa Oria”, MLN, Vol. 87, No. 2, Hispanic Issue (Mar., 1972), pp. 300-307.
³ Uría Maqua, 1981.
⁴ En el relato de su primera visión, las tres santas que van a acompañarle al cielo le dicen: “Tú mucho te deleitas en las nuestras passiones,/ de amor e de grado leyes nuestras razones”. Estrofa 37a-b. Ed. Uría Maqua, http://www.vallenajerilla.com/berceo/uria/visiones.htm (última consulta 21/07/2020).
⁵ Estrofa 73. Ed. Uría Maqua, http://www.vallenajerilla.com/berceo/uria/visiones.htm (última consulta 21/07/2020).
⁶Argaiz trató de situar cronológicamente la vida de esta santa, determinando que la primera de sus visiones se produjo en 1068, cuando contaba con veinticinco años de edad, dos antes de su muerte en 1070. Argáiz, La soledad laureada..., f. 338v..
⁷ Estrofa 76c-d. Ed. Uría Maqua (Online)
⁸ García Turza, 2020, p. 106.
⁹ Estrofa 65. Ed. Uría Maqua (Online).Uría señala la existencia de una estrofa que falta entre la número 64, en la que se menciona a don Sancho y don García, y ésta, en la que se recoge la respuesta de las mártires que acompañan a Oria. Presumiblemente, esa estrofa perdida contenía la pregunta respecto a don Gómez.
¹⁰ La segunda visión ocupa las estrofas 119 a 139.
¹¹ La tercera y última visión de Oria, final apoteósico de toda la historia de la santa, se narra entre las estrofas 140 a 146. El resto de las estrofas del poema se dedican a la muerte y entierro de la santa.
¹² “formalmente, ninguna de las tres partes destaca sobre las otras, porque ninguna cumple una función primordial o superior dentro de la totalidad del poema. En realidad, cada parte o "libriello" tiene su propia autonomía y es independiente de las otras en el nivel estructural; (...) Esto, unido al hecho de que las Visiones de Oria (y de su madre) ocupan un 66 % de las cuartetas del poema, y sólo un 6 % están destinadas a relatar la vida natural de la Santa, nos lleva a pensar —como ya en su tiempo señaló D. Marcelino Menéndez y Pelayo, y en nuestros días apunta la hispanista, Frida Weber (18)—, que la obra debe incluirse en la Literatura de Visiones más que en el género de las Vidas de Santos. Por ello, hemos sustituido el título tradicional, Vida de Santa Oria, por el neutro y menos comprometido de Poema de Santa Oria” (Uría Maqua, Isabel, “El Poema de Santa Oria: cuestiones referentes a su estructura y género”, Berceo, 94-95 [1978], 43-55, p. 44.
¹³ González, Javier Robero. "Una cuestión de género: ¿Poema de Santa Oria, o Vida de Santa Oria?.", Signum, 2013, pp. 173-180
¹⁴ González, que sigue las valoraciones de Baños Vallejo sobre la literatura de visiones y la hagiografía, utiliza el término hagiografía visionaria para encuadrar lo que considera un subgénero de la literatura hagiográfica. González, Javier Roberto, p. 181
¹⁵ Nieto Pérez, “La tradición hagiográfica en las cuatro vidas de santos de Gonzalo de Berceo”, Philologica canariensia, 10-11 (2004-2005), 419-420.
¹⁶ Seguiremos el texto editado por Uria Maqua, Isabel, 1992, Gonzalo de Breceo. Obra Completa, Madrid: Espasa Calpe. Disponible en http://www.vallenajerilla.com/berceo/uria/notaintroductoria.htm (última consulta 02/08/2020).
¹⁷ En general, no se duda de la existencia de este testimonio desaparecido. Uría Maqua identificó como autor al scriba politor mencionado junto a otros notables del monasterio, como el abad Blas, en la inscripción visible en el arca de las reliquias de san Millán. Uría Maqua, Isabel, 1981 (consultamos la versión disponible en http://www.vallenajerilla.com/notabene/uria.htm; última consulta 21/07/2020). La alusión a la fuente latina le sirve a Barceo además para dar mayor veracidad a su reinterpretación del relato sobre santa Oria. García Turza, 2020, pp. 99-100. Al margen de las consideraciones sobre la Vita perdida, resulta de especial interés el estudio de Walsh sobre la relación entre el Poema de Santa Oria y la Vida de Santa Eugenia. Walsh, John K., “A Possible Source for Berceo's Vida de Santa Oria”, MLN, Vol. 87, No. 2, Hispanic Issue (Mar., 1972), pp. 300-307.
¹⁸ Uría Maqua, 1981.
¹⁹ En el relato de su primera visión, las tres santas que van a acompañarle al cielo le dicen: “Tú mucho te deleitas en las nuestras passiones,/ de amor e de grado leyes nuestras razones”. Estrofa 37a-b. Ed. Uría Maqua, http://www.vallenajerilla.com/berceo/uria/visiones.htm (última consulta 21/07/2020).
²⁰ Estrofa 73. Ed. Uría Maqua, http://www.vallenajerilla.com/berceo/uria/visiones.htm (última consulta 21/07/2020).
²¹ Argaiz trató de situar cronológicamente la vida de esta santa, determinando que la primera de sus visiones se produjo en 1068, cuando contaba con veinticinco años de edad, dos antes de su muerte en 1070. Argáiz, La soledad laureada..., f. 338v.
²² Estrofa 76c-d. Ed. Uría Maqua (Online)
²³ García Turza, 2020, p. 106.
²⁴ Don Sancho fue abad entre 1026 y 1046, ocupando después las sedes de Nájera y Pamplona; mientras que don García fue obispo de Álava entre 1037 y 1056, tiempo en el que participó en la fallida traslación de san Felices de Bilibio, que analizaremos en el capítulo V.
²⁵ Estrofa 65. Ed. Uría Maqua (Online).Uría señala la existencia de una estrofa que falta entre la número 64, en la que se menciona a don Sancho y don García, y ésta, en la que se recoge la respuesta de las mártires que acompañan a Oria. Presumiblemente, esa estrofa perdida contenía la pregunta respecto a don Gómez.
²⁶ La segunda visión ocupa las estrofas 119 a 139.
²⁷ La tercera y última visión de Oria, final apoteósico de toda la historia de la santa, se narra entre las estrofas 140 a 146. El resto de las estrofas del poema se dedican a la muerte y entierro de la santa.
²⁸ “formalmente, ninguna de las tres partes destaca sobre las otras, porque ninguna cumple una función primordial o superior dentro de la totalidad del poema. En realidad, cada parte o "libriello" tiene su propia autonomía y es independiente de las otras en el nivel estructural; (...) Esto, unido al hecho de que las Visiones de Oria (y de su madre) ocupan un 66 % de las cuartetas del poema, y sólo un 6 % están destinadas a relatar la vida natural de la Santa, nos lleva a pensar —como ya en su tiempo señaló D. Marcelino Menéndez y Pelayo, y en nuestros días apunta la hispanista, Frida Weber (18)—, que la obra debe incluirse en la Literatura de Visiones más que en el género de las Vidas de Santos. Por ello, hemos sustituido el título tradicional, Vida de Santa Oria, por el neutro y menos comprometido de Poema de Santa Oria” (Uría Maqua, Isabel, “El Poema de Santa Oria: cuestiones referentes a su estructura y género”, Berceo, 94-95 [1978], 43-55, p. 44.
²⁹ González, Javier Roberto. "Una cuestión de género: ¿Poema de Santa Oria, o Vida de Santa Oria?.", Signum, 2013, pp. 173-180.
³⁰ González, que sigue las valoraciones de Baños Vallejo sobre la literatura de visiones y la hagiografía, utiliza el término hagiografía visionaria para encuadrar lo que considera un subgénero de la literatura hagiográfica. González, Javier Roberto, p. 181.
³¹ Nieto Pérez, “La tradición hagiográfica en las cuatro vidas de santos de Gonzalo de Berceo”, Philologica canariensia, 10-11 (2004-2005), 419-420.

Isabel Ilzarbe

Universidad de La Rioja
Palavras-chave: Berceo, emparedada, mística, Santa Áurea, visiões.
Palabras-clave: Berceo, emparedada, mística, Santa Oria, visiones.
 
 

Edições modernas

García Turza, Javier (2020), “Los relatos celestiales y terrenales de Gonzalo de Berceo en el Poema de Santa Oria”, en Domínguez Matito, Francisco (coord.) y Borsari, Elisa (coord.), Revisitando a Berceo: lecturas del siglo XXI, Madrid: Iberoamericana- Vervuert, pp. 98-128. Gimeno Casalduero, Joaquín (1984), “La "Vida de Santa Oria" de Gonzalo de Berceo: nueva interpretación y nuevos datos”, Anales de Literatura Española, 3. Disponible em http://www.cervantesvirtual.com/obra-visor/anales-de-literatura-espanola--6/html/ (última consulta 03/08/2020) González, Javier Roberto (2013). "Una cuestión de género: ¿Poema de Santa Oria, o Vida de Santa Oria?", Signum, pp. 173-180 Nieto Pérez, María Mercedes (2005) “La tradición hagiográfica en las cuatro vidas de santos de Gonzalo de Berceo”, Philologica canariensia, 10-11, pp. 419-420

Uría Maqua, Isabel (1978), “El Poema de Santa Oria: cuestiones referentes a su estructura y género”, Berceo, 94-95, pp. 43-55

Uria Maqua, Isabel (1992), Gonzalo de Breceo. Obra Completa, Madrid: Espasa Calpe. Disponible en http://www.vallenajerilla.com/berceo/uria/notaintroductoria.htm (última consulta 02/08/2020)

Walsh, John K. (1972), “A Possible Source for Berceo's Vida de Santa Oria”, MLN, Vol. 87, No. 2, pp. 300-307.

 

Trecho traduzido e modernizado

En el nombre del Padre que nos quiso criar
e de don Jesu Christo qui nos vino salvar
e del Spíritu Sancto, lumbre de confortar,
de una sancta virgen quiero versificar.

Quiero en mi vegez, maguer so ya cansado,
de esta sancta virgen romançar su dictado;
que Dios por el su ruego sea de mí pagado
e non quiera vengança tomar del mi pecado.

Em nome do Pai que nos quis criar
e de Dom Jesus Cristo que nos veio salvar
e do Espírito Santo, lume de confortar,
de uma santa virgem quero versificar.

Quero em minha velhice, ainda que já cansado,
desta santa virgem romancear seu ditado;
que Deus pelo seu rogo seja por mim pagado
e não queira vingança tomar do meu pecado

 
Autor: Atribuído a :Gonzalo de Berceo.

Nome da obra: Poema de Santa Oria.

Data: 1250 [manuscrito]

Lugar de composição ou impressão: San Millán de la Cogolla, La Rioja, España

Imagem do prólogo do documento: Documento da Real Academia Espanhola - códice unitário RAE (Sra. 4)
 
 

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