Pablo Martín Prieto
Pablo Martín Prieto
28 de agosto de 2020
Carta e breve compêndio
Carta e Breve Compêndio / Carta y Breve Compendio
15 de setembro de 2020

Liber Synodalis

Liber Synodalis
 


Verbete

Fray Gonzalo de Alba. obispo de Salamanca. Liber Synodalis. 1410.
 
O Liber Synodalis é um texto de gênero literário-pastoral, escrito ou encomendado por Gonzalo de Alba, bispo de Salamanca, em 1410, e publicado no sínodo que ocorreu na catedral de Salamanca em 6 de abril de 1410. Segundo Antonio García e García, contamos com dois textos desse mesmo tratado, um em redação latina (uma cópia em Barcelona e outra na Real Colegiata de San Isidoro, em Leão, sendo ambas cópias de um antecessor comum), e um em redação castelhana (Biblioteca Universitaria de Salamanca), que mostra algumas variações em relação ao texto latino.

O Liber Synodalis apresenta as características de um tratado sistemático ou compêndio dos principais temas religiosos que os clérigos com cura de almas deveriam saber para exercer seu ministério pastoral e para explicá-los aos fiéis. Neste sentido, o sínodo celebrado em 6 de abril de 1410 estabeleceu a obrigação de que os clérigos curados da diócesis tivessem em suas igrejas uma cópia em pergaminho deste texto “para que saibam dar os sacramentos a seus súditos, e governar seus povos da maneira que devem por direito”. O tratado inclui uma exposição dos artigos de fé e um longo desenvolvimento sobre a prática dos sacramentos, articulando em torno desses grandes eixos a abordagem de outras temáticas.

O texto começa estabelecendo a obrigação de celebrar um sínodo a cada ano, com a presença dos abades, reitores, vigários e clérigos curados de toda a diocese. Os clérigos paroquiais deveriam comparecer com seu exemplar do Livro Sinodal, a fim de formular antes do Sínodo qualquer dúvida que eles tivessem sobre as questões ali desenvolvidas. Em sua primeira parte, o sinodal expõe os símbolos e artigos da fé, distinguindo os artigos sobre a Divindade (a unidade da essência divina, a trindade das pessoas e as obras da virtude divina) e os artigos sobre a Humanidade (isto é, a Concepção, a Natividade, a Paixão, a Descida aos infernos, a Ressurreição, a Ascensão e o advento do Julgamento).

A seguir, são estabelecidos três níveis de conhecimento dos artigos de fé. Cabe ao papa e aos bispos conhecer esses artigos para defendê-los dos hereges, declará-los aos fiéis e dar razões para aqueles que quisessem abraçar a fé de Cristo. Os clérigo da cura, os pregadores, os mestres e os doutores devem conhecer os artigos de acordo com o exercício de seu ofício, a administração dos sacramentos e o discernimento dos pecados, afim de conferir penitência adequada. Por sua parte, os leigos devem saber o que lhes foi ensinado pelos seus clérigos através da pregação, ao mesmo tempo em que devem poder recitar o Pai-Nosso (abordado no próximo capítulo), a Ave Maria e o Credo, e realizar o sinal da Cruz.

Uma grande parte do Sinodal é dedicada aos sacramentos, concentrando a atenção naqueles dois sem os quais a salvação não pode ser alcançada: batismo e penitência (13-56). Acima de tudo, aqueles que dão ou recebem sacramentos em troca de bens temporários, que incorrem no pecado da simonia, são advertidos (14). Em seguida, são abordadas questões relacionadas à administração dos sacramentos, como a custódia da Eucaristía e da crisma, e a prática do batismo, a confirmação e a penitência (15-56). Dentre os aspectos relacionados à penitência, são desenvolvidos os pecados capitais (24-31), os dez mandamentos (32-41) e os pecados veniais (45), além de explicar os procedimentos para realizar a confissão, indicar em quais casos é necessária, quais penitências devem ser impostas para cada pecado e as formas de restituição e absolvição. Por fim, são expostos vários aspectos relacionados ao sacramento da Eucaristia (57).

Dentre as fontes do Liber synodalis estão identificadas, segundo García e García, o Corpus iuris canonici, a Summa aurea de Enrique de Segusio, os Sententiae de Pedro Lombardo, os comentários aos Sententiae e a Summa Theologica de São Tomás de Aquino e a Summa de Raimundo de Peñafort.

El Liber Synodalis es un texto de género literario-pastoral, escrito o encargado por Gonzalo de Alba, obispo de Salamanca, en 1410, y publicado en el sínodo que tuvo lugar en la catedral salmantina el 6 de abril de 1410. De acuerdo con Antonio García y García, contamos con dos textos de este mismo tratado, uno en redacción latina (una copia en Barcelona y otra en la Real Colegiata de San Isidoro, en León, siendo ambos copia de un antecesor común), y uno en redacción castellana (Biblioteca Universitaria de Salamanca), que ostenta algunas variantes en relación al texto latino.

El Liber Synodalis presenta las características de un tratado sistemático o compendio de los principales temas religiosos que los clérigos con cura de almas debían saber para ejercer su ministerio pastoral y para explicarlos a los fieles. En este sentido, el sínodo celebrado el 6 de abril de 1410 había establecido la obligación de que los clérigos curados de la diócesis contaran en sus iglesias con una copia en pergamino de este texto “por que sepan dar los sacramentos a sus subditos, e governar a sus pueblos e a sy en la manera que deven de derecho”. El tratado incluye una exposición de los artículos de fe y un largo desarrollo sobre la práctica de los sacramentos, articulando en torno a estos grandes ejes el abordaje de otras temáticas.

El texto se abre estableciendo la obligación de celebrar un sínodo cada año, con la presencia de los abades, rectores, vicarios y clérigos curados de toda la diócesis. Los clérigos parroquiales habrían de concurrir con su ejemplar del Libro Sinodal, a fin de formular ante el sínodo las dudas que tuvieran sobre las cuestiones allí desarrolladas (1). En su primera parte, el sinodal expone los símbolos y artículos de la fe, distinguiendo los artículos sobre la Divinidad (la unidad de la esencia divina, la trinidad de las personas y las obras de la virtud divina) y los artículos sobre la Humanidad (es decir, la Concepción, la Natividad, la Pasión, el Descenso a los infiernos, la Resurrección, la Ascensión y el advenimiento del Juicio) (2-9).

A continuación, se establecen tres niveles de conocimiento de los artículos de la fe (10).

Al papa y a los obispos corresponde saber estos artículos a fin de defenderlos contra los herejes, declararlos a los fieles y dar razones a quienes quisieran abrazar la fe de Cristo. Los clérigos curados, los predicadores, los maestros y los doctores deben conocer los artículos en función del ejercicio de su oficio, la administración de los sacramentos y el discernimiento de los pecados para impartir la adecuada la penitencia. Por su parte, los legos deben conocer lo que les fuera enseñado por sus clérigos a través de la predicación, a la vez que deben poder recitar el Padre Nuestro (que se aborda en el siguiente capítulo), el Ave María y el Credo, y realizar el signo de la Cruz.

Una extensa parte del sinodal se encuentra dedicada a los sacramentos, concentrándose la atención en aquellos dos sin los cuales no se puede alcanzar la salvación: el bautismo y la penitencia (13-56). Ante todo, se amonesta a quienes dieren o recibieren sacramentos a cambio de bienes temporales, que estarían incurriendo en el pecado de simonía (14). A continuación, se abordan cuestiones vinculadas a la administración de los sacramentos como la custodia de la Eucaristía y el crisma, y la práctica del bautismo, la confirmación y la penitencia (15-56). Entre los aspectos relativos a la Penitencia, se desarrolla sobre los pecados capitales (24-31), los diez mandamientos (32-41) y los pecados veniales (45), además de explicarse los procedimientos para la llevar a cabo la confesión, indicar en qué casos es necesaria, qué penitencias deben imponerse para cada pecado y las formas de restitución y absolución (46-56). Finalmente, se exponen diversos aspectos relativos al sacramento de la Eucaristía (57).

Entre las fuentes del Liber synodalis se identifican, de acuerdo a García y García, el Corpus iuris canonici, la Summa aurea de Enrique de Segusio, las Sententiae de Pedro Lombardo, los comentarios a las Sententiae y la Summa theologica de Santo Tomás de Aquino y la Summa de Raimundo de Peñafort.
Palavras-chave: : Livro sinodal; Cura de almas; Gonzalo de Alba; Diocese de Salamanca; Século XV.
Palabras-clave: Libro sinodal; Cura de almas; Gonzalo de Alba; Diócesis de Salamanca; Siglo XV.
Mariel Pérez

Universidad de Buenos Aires, CONICET (Argentina)
 
 

Edições modernas

García y García, Antonio (dir.). Synodicon Hispanum. IV. Ciudad Rodrigo, Salamanca y Zamora. Madrid, Biblioteca de Autores Cristianos, 1987.

Alonso Rodríguez, Bernardo; Cantelar Rodríguez, Francisco; García y García, Antonio. “El Liber Synodalis salmantino de 1410”, Revista Española de Derecho Canónico, 41/119, 1985, pp. 347-364.
 

Trecho traduzido e modernizado

Segundo testemunho do apóstolo São Paulo na primeira epístola que enviou a seu discípulo Timóteo, no V cap, quando os clérigos bem regem seus povos, com dupla honra merecem ser honrados, principalmente aqueles que trabalham para ensinar seus povos com boa palavra e doutrina. E portanto, as coisas que não são sabidas, não podem ser bem ensinadas, e a ignorância daquelas coisas que pertencem à fé, naqueles que possuem a cura das almas é muito repreensível e culposa, porque a simplicidade e a ignorância dos tais podem causar grandes perigos na ministração dos sacramentos e no regimento das almas dos seus súditos. Por isso, nos deu Frei Gonçalo, pela graça de Deus e da Santa Igreja de Roma o bispo de Salamanca.
 
Autor: Fray Gonzalo de Alba, obispo de Salamanca.

Nome da obra: Liber Synodalis .

Data: 1410.

Local: Salamanca.

Imagens: Universidad de Salamanca (España). Biblioteca General Histórica, Ms. 2251.
 

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