Ariadne Nunes
10 de setembro de 2019
Arturo Jiménez Moreno
12 de setembro de 2019

Evangelios moralizados

 


Verbete

JUAN LÓPEZ DE SALAMANCA. Evangelios moralizados, 1490.
 
Esta obra foi composta pelo frade dominicano Juan López de Salamanca (c. 1389-1479). Juan López foi Mestre de Teologia no Convento de São Estevão de Salamanca, predicador por terras castelhanas e defensor da ortodoxia cristã contra outras religiões ou contra movimentos reformistas. Por volta de meados do século XV começou a servir aos poderosos condes de Plasença – dom Álvaro de Zúñiga e sua segunda esposa dona Leonor Pimentel –. Foi confessor e diretor espiritual da influente Condessa de Plasença a quem dirige, além de seus Evangelios moralizados, vários de seus escritos.

A obra teve destinatário duplo: em uma primeira redação composta entre 1460 e 1468, Juan López dirigiu à Condessa de Plasença, porém, quiçá devido ao relativo éxito de sua difusão manuscrita – encontramos cópias em várias bibliotecas nobiliárias de finais do século XV e princípios do século XVI -, se imprimiu em 1490 (Zamora: Antón de Centenera) para seu uso, coma material predicável para outros religiosos.

Tal como foram conservados, os Evangelios moralizados estão dividos em dois livros – embora originalmente quiçá fossem três – compostos de 38 comentários em forma de sermão sobre os evangelhos dominicais segundo o calendário litúrgico. Como indica seu título, Juan López dedica boa parte destes comentários para extrair o sentido moralizante de cada evangelho.

O conteúdo moralizante da obra configura uma mensagem pastoral dirigida ao povo castelhano do século XV. Esta mensagem se ajusta a ortodoxia religiosa e centra-se em três núcleos principais: o pecado, o modelo de vida penitencial e, por último, as postrimerias do homem. Em resumo, o cristão deve esforçar-se para evitar cair nas tentações do pecado pelo que deve levar uma vida penitencial, praticando a virtude, passando privaçõe, dando esmolas, confesando-se, assistindo as celebrações religiosas… Ao final da sua vida, o homem terá que se apresentar diante de Deus que decidirá, segundo seu comportamento, castigar-lhe a condenação do inferno ou premiar-lhe com a salvação eterna junto a Deus. Ademais, Juan López ataca as crenças dos judeus, muçulmanos e inclusive de alguns movimentos heréticos peninsulares como os fraticelli encabeçados pelo frei Felipe de Berbegal ou os chamados Hereges de Durango.

Por último, a obra nos transmite uma imagen dignificada da mulher que, embora apresente os defeitos tradicionalmente atribuídos a condição feminina, também mostra suas virtudes e fortalezas, devido provavelmente ao fato de que a destinatária da obra era precisamente uma mulher poderosa.
Esta obra fue compuesta por el fraile dominico Juan López de Salamanca (c. 1389-1479). Juan López fue maestro en Teología en el Convento de San Esteban de Salamanca, predicador por tierras castellanas y defensor de la ortodoxia cristiana contra otras religiones o contra movientos reformistas. Hacia mediados del siglo XV entró al servicio de los poderosos Condes de Plasencia – don Álvaro de Zúñiga y su segunda esposa doña Leonor Pimentel –. Fue confesor y director espiritual de la influyente Condesa de Plasencia a quien dirige, además de sus Evangelios moralizados, varios de sus escritos.

La obra tuvo un doble destinatario: en una primera redacción compuesta entre 1460 y 1468, Juan López lo dirigió a la Condesa de Plasencia, pero, debido quizá al relativo éxito de su difusión manuscrita – encontramos copias en varias bibliotecas nobiliarias de finales del siglo XV y princios del siglo XVI–, se imprimió en 1490 (Zamora: Antón de Centenera) para su uso como material predicable por otros religiosos.

Tal y como se nos han conservado, los Evangelios moralizados se dividen en dos libros –aunque originalmente quizá fueran tres– y se componen de 38 comentarios con forma de sermón sobre los evangelios dominicales según el calendario litúrgico. Como indica su título, Juan López dedica buena parte de estos comentarios a extraer el sentido moralizante de cada evangelio.

El contenido moralizante de la obra configura un mensaje pastoral dirigido al pueblo castellano del siglo XV. Este mensaje se ajusta a la ortodoxia religiosa y se centra en tres núcleos principales: el pecado, el modelo de vida penitencial y, por último, las postrimerías del hombre. En resumen, el cristiano debe esforzarse por evitar caer en las tentaciones del pecado por lo que debe llevar una vida penitencial, practicando la virtud, pasando privaciones, dando limosna, confesándose, asistiendo a las celebraciones religiosas… Al final de su vida, el hombre tendrá que presentarse ante Dios que decidirá, según su comportamiento, castigarlo a la condenación del infierno o premiarlo con la salvación eterna junto a Dios. Además, Juan López ataca las creencias de judíos, musulmanes e incluso algunos movimientos heréticos peninsulares como los fraticelli encabezados por fray Felipe de Berbegal o los llamados Herejes de Durango.

Por último, la obra nos transmite una imagen dignificada de la mujer que, aunque presenta los defectos tradicionalmente atribuidos a la condición femenina, también muestra sus virtudes y fortalezas, debido probablemente a que la destinataria de la obra era precisamente una mujer poderosa.
Palavras-chave: Sermão; Ortodoxia cristã; Vida penitencial; Postrimerias do homem; Leonor Pimentel.
Palavras-chave: Sermón; Ortodoxia cristiana; Vida penitencial; Postrimerías del hombre; Leonor Pimentel.
Arturo Jimenéz Moreno

Universidade Pompeu Fabra
 
 

Edições modernas

JUAN LÓPEZ DE SALAMANCA. Evangelios moralizados. Ed. Arturo Jiménez Moreno. Salamanca: Ediciones Universidad de Salamanca, 2004.
 
 

Trecho traduzido e modernizado

Aqui começa o livro dos evangelhos do advento até o domingo da paixão, moralizado pelo reverendo mestre frei Juan López. O qual romanceou por rogo da muito magnífica virtuosa senhora a duquesa de Arévalo, sua senhora.

Preâmbulo do advento do Senhor.

A vinda do Senhor em quatro maneiras foi duplicada, segundo o que se pode fundamentar naquela profecia de Habacuque no segundo capítulo, que diz assim: Aparebit in fine, et non mencietur. Si moram fecerit, expecta eum, quia veniens veniet, et non tardabit. Ecce qui incredulus est, non erit recta animaeius in semetipso. (Setença. Diz este profeta falando do Salvador do mundo assim: aparecerá no fim e não mentirá. O espere mesmo que demore porque o viandante virá e não tradará. Olhe que aquele que é incrédulo desta vinda sua própria alma direita não será”.

O primeiro advento ocorreu no mundo, ou seja, quando veio como homem piedosamente por nós. E esta vinda foi duplicada; a primeira, quando veio pela encarnação na Virgem ilustrada, e assim visivelmente; a segunda quando veio pela consagração na hóstia consagrada, isto invisivelmente.

A sua vinda primeira se fundamenta no profeta Habacuque, no final do capítulo III, desta maneira: “Hicest Deus noster et non extimabitur alius adversus eum. Qui adinvenit omnem viam discipline et tradiditillam Iacob, puero suo, et Israel, dilecto suo. Post hec in terris visus est, et cum hominibus conversatus est.” (Setença. Este é nosso Deus e não será outro Deus estimado e considerado contra Ele, o qual falou toda carreira de castigo e disciplina —quer dizer doutrina de toda vida virtuosa— e ensinou a Jacob, seu moço, e a Israel, seu amado).
 
Autor: Juan López de Salamanca.

Nome da obra: Libro de los Evangelios, moralizados, desde Adviento hasta la Dominica de Pasion [Texto impreso].

Data: 1490.

Local: Zamora.

Imagens: Biblioteca Nacional de España.

 

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