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Carta e Breve Compêndio / Carta y Breve Compendio

Carta e breve compêndio
 


Verbete

Pedro de Chinchilla. Carta y breve compendio.1466 [manuscrito].
 
A Carta y breve compendio é um espelho de nobres dirigida ao quarto conde de Benavente, Rodrigo Alonso Pimentel (ca. 1440-1499), que ocupava em junho de 1466, momento de finalização do tratado, uma posição destacada na corte do rei Afonso XII de Castela (1465-1468), elevado ao trono por um setor da nobreza castelhana após a deposição em efígie do monarca legítimo Enrique IV (1454-1474), na conhecida Farsa de Ávila de 5 de junho de 1465.

O autor do tratado, Pedro de Chinchilla, seria um letrado designado, em condição de criado, para os arredores da casa condal de Benavente, a cujo serviço esteve vinculado, pelo menos, entre os anos de 1436 e 1475. Neste entorno, Chinchilla teve que desempenhar funções tanto burocráticas como literárias, como a tradução da Historia destructionis Troiae de Guido de Colonna, sob o título de Libro de la Historia troyana (1443), e a redação dos tratados Carta y breve compendio, objeto deste verbete, e Exhortación o información de buena y sana doctrina (1467), dirigida a Afonso XII de Castela.

A Carta y breve compendio está conservada atualmente em uma cópia única no códice M-88 (fols. 36r-57v) da Biblioteca de Menéndez Pelayo (Santander), manuscrito de 57 fólios escrito a uma mão em letra gótica cursiva do século XV, com tinta preta e rúbricas, inícios de capítulos e fermatas em tinta vermelha. Este exemplar se trata, provavelmente, de uma cópia realizada para uso interno da corte condal em data próxima a 1467, a partir do original, que teve que permanecer em mãos de Afonso XII. Existem dois indícios que apontam para sua vinculação com a linhagem dos Pimentel. Por um lado, o ex-libris da biblioteca madrilenha de Gabriel Sánchez, presente em outros exemplares da Biblioteca de Menéndez Pelayo relacionados com a casa de Benavente; e, por outro lado, o fato de que se encontre escrito em um papel com a filigrana carro con dos ruedas (nº 3528 de Briquet), marca característica dos livros de propriedade dos condes de Benavente.

O tratado é composto por duas unidades relacionais. Por um lado, a Carta (fols. 36ra-37va), como epístola dedicatória ou carta-proêmio, datada de 13 de maio de 1466, que adotou livremente a estrutura epistolar fixada pelo ars dictaminis, cuja presença talvez pudesse ser explicada à luz da carta dirigida em 1370 pelo humanista italiano Giovanni Boccaccio (1313-1375) a Mainardo de Cavalcanti, marechal do reino da Sicília, com a qual se abria o De casibus virorum illustrium, fonte principal do tratado. Por outro lado, encontramos o Breve compendio (fols. 37v-57v) ou tratado propriamente dito, a meio caminho entre um tratado de vícios e um regimento de nobres, finalizado em junho de 1466.

Esse compêndio está estruturado em doze capítulos, através dos quais busca-se ilustrar para o quarto conde de Benavente como o pecado conduz irremediavelmente para a queda política. Assim, após o indíce (fol. 37v) e um capítulo introdutório, que trata de «Como os homens devem antepor a Deus a todas as suas coisas » (cap. I, fols. 38r-39r), o núcleo central está constituído pela exposição dos vícios ou pecados capitais (soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, preguiça, ira) (caps. II-VIII, fols. 39r-50r), ao que são somados outros blocos temáticos, em torno da relação entre a Providência e a Fortuna (cap. IX, fols. 50r-51r), a piedade (cap. X, fols. 51r-52v), a blasfêmia (cap. XI, fols. 52v-54v) e finalmente a diferença entre o príncipe e o tirano (cap. XII, fols. 54v-57v).

A fonte principal do tratado encontra-se na tradução castelhana da denominada redação B (por volta de 1373-1374) do referido De casibus virorum illustrium, iniciada pelo chanceler Pedro López de Ayala e finalizada posteriormente por Alonso de Cartagena, bispo de Burgos, sob o título de Caída de príncipes. Desse tratado, Chinchilla extrairá distintos exempla sobre as quedas históricas e legendárias de nobres, reis ou militares do passado bíblico, grego e romano, que, organizadas temáticamente, atendendo aos sete pecados capitais, buscaram ilustrar a doutrina moral e religiosa exposta no tratado. Junto a esta obra, poderia ser acrescentada a influência (provavelmente indireta, através do De casibus) do De consolatione Philosophiae (525) do filósofo tardo-romano Boécio e talvez do Compendio de la fortuna do frei agostiniano Martin de Córdoba, dedicado em meados do século XV a dom Álvaro de Luna, condestável de Castela.

Dentre os eixos temáticos presentes no tratado, é possível destacar, em primeiro lugar, a atenção para as consequências políticas do pecado, cuja renúncia seria apresentada como garantia de um governo duradouro; um aspecto de interesse para um nobre que, como o quarto conde, havia alcançado o auge do poder ao lado do rei Afonso XII.

Em segundo lugar, a relação entre Fortuna e Providência, sobre a qual Chinchilla adotaria uma perspectiva cristã, ao rejeitar a influência da Fortuna pagã em favor da intervenção ativa da Providência, encarregada de castigar o mau e premiar o bom; uma doutrina à luz da qual se poderia legitimar a queda de Enrique IV e a elevação ao trono de Afonso XII.

Em terceiro e último lugar, a insistência na legitimidade do exercício, buscando endossar a deposição do rei Enrique e a elevação ao trono do menino rei Afonso. Essa noção seria articulada em torno de dois conceitos: por um lado, a importância do amor político, expressado através da máxima que aconselhava o príncipe a ser mais amado do que temido; por outro lado, o direito de resistência ao tirano, o que levaria Chinchilla a afirmar, seguindo Boccaccio, que «não há sacrifício mais plausível a Deus que o sangue do tirano» (fol. 56r).
La Carta y breve compendio es un espejo de nobles dirigido al cuarto conde de Benavente, Rodrigo Alonso Pimentel (ca. 1440-1499), quien ocupaba en junio de 1466, momento de finalización del tratado, una posición destacada en la corte del rey Alfonso XII de Castilla (1465-1468), elevado al trono por un sector de la nobleza castellana tras la deposición en efigie del monarca legítimo Enrique IV (1454-1474), en la conocida como Farsa de Ávila de 5 de junio de 1465.

El autor del tratado, Pedro de Chinchilla, sería un letrado adscrito, en su condición de criado, al entorno de la casa condal de Benavente, a cuyo servicio se encontraría vinculado, al menos, entre los años 1436 y 1475. En este entorno, Chinchilla hubo de desempeñar funciones tanto burocráticas como literarias, con la traducción de la Historia destructionis Troiae de Guido de Colonna, bajo el título de Libro de la Historia troyana (1443), y la redacción de los tratados Carta y breve compendio, objeto de esta entrada, y Exhortación o información de buena y sana doctrina (1467), dirigida a Alfonso XII de Castilla.

La Carta y breve compendio se conserva en la actualidad en una copia única en el códice M-88 (fols. 36r-57v) de la Biblioteca de Menéndez Pelayo (Santander), manuscrito de 57 folios escrito a una mano en letra gótica cursiva del siglo XV, en tinta negra, con rúbricas, comienzo de capítulos y calderones en tinta roja. Dicho ejemplar se trataría probablemente de una copia realizada para uso interno de la corte condal en fecha cercana a 1467 a partir del original, que hubo de quedar en manos de Alfonso XII. Existen dos indicios que apuntan a su vinculación con el linaje de los Pimentel. Por un lado, el exlibris de la librería madrileña de Gabriel Sánchez, presente en otros ejemplares de la Biblioteca de Menéndez Pelayo relacionados con la casa de Benavente; y, por otro lado, el hecho de que se encuentre escrito en un papel con la filigrana carro con dos ruedas (nº 3528 de Briquet), marca característica de los libros propiedad de los condes de Benavente.

El tratado se compone de dos unidades redaccionales. Por un lado, la Carta (fols. 36ra-37va), a manera de epístola dedicatoria o carta-proemio, fechada el 13 de mayo de 1466, que adoptaría de forma laxa la estructura epistolar fijada por el ars dictaminis, cuya presencia tal vez se podría explicar a la luz de la carta dirigida hacia 1370 por el humanista italiano Giovanni Boccaccio (1313-1375) a Mainardo de Cavalcanti, mariscal del reino de Sicilia, con la que se abría De casibus virorum illustrium, fuente principal del tratado. Por otro lado, encontraríamos el Breve compendio (fols. 37v-57v) o tratado propiamente dicho, a medio camino entre un tratado de vicios y un regimiento de nobles, finalizado en junio de 1466.

Dicho compendio se estructura en doce capítulos, a través de los cuales se busca ilustrar al cuarto conde de Benavente sobre cómo el pecado conduce irremediablemente a la caída política. Así, tras la tabla de contenidos (fol. 37v) y un capítulo introductorio, que incide en «Cómo los ombres en todas sus cosas deven anteponer a Dios» (cap. I, fols. 38r-39r), el núcleo central está constituido por la exposición de los vicios o pecados capitales (soberbia, avaricia, lujuria, envidia, gula, pereza, ira) (caps. II-VIII, fols. 39r-50r), al que se suman otros bloques temáticos, en torno a la relación entre la Providencia y la Fortuna (cap. IX, fols. 50r-51r), la piedad (cap. X, fols. 51r-52v), la blasfemia (cap. XI, fols. 52v-54v) y finalmente la diferencia entre el príncipe y el tirano (cap. XII, fols. 54v-57v).

La fuente principal del tratado se encuentra en la traducción castellana de la denominada como redacción B (hacia 1373-1374) del referido De casibus virorum illustrium, iniciada por el canciller Pedro López de Ayala y finalizada posteriormente por Alonso de Cartagena, obispo de Burgos, bajo el título de Caída de príncipes. De dicho tratado Chinchilla extraerá distintos exempla sobre las caídas históricas y legendarias de nobles, reyes o militares del pasado bíblico, griego y romano, que, organizadas temáticamente atendiendo a los siete pecados capitales, buscarán ilustrar la doctrina moral y religiosa expuesta en el tratado. Junto a esta obra, cabría añadir la influencia (probablemente indirecta, a través de De casibus) de De consolatione Philosophiae (525) del filósofo tardorromano Boecio y quizás del Compendio de la fortuna del agustino fray Martín de Córdoba, dirigido a mediados del siglo XV a don Álvaro de Luna, condestable de Castilla.

Dentro de los ejes temáticos presentes en el tratado es posible destacar, en primer lugar, la atención hacia las consecuencias políticas del pecado, cuya renuncia sería presentada como garantía de un gobierno duradero; un aspecto de interés para un noble que, como el cuarto conde, había alcanzado la cumbre del poder al lado del rey Alfonso XII.

En segundo lugar, la relación entre Fortuna y Providencia, sobre la que Chinchilla adoptaría una perspectiva cristiana, al rechazar la influencia de la Fortuna pagana a favor de la intervención activa de la Providencia, encargada de castigar al malo y premiar al bueno; una doctrina a la luz de la cual se podría legitimar la caída de Enrique IV y la elevación al trono de Alfonso XII.

En tercer y último lugar, la insistencia en la legitimidad de ejercicio, buscando refrendar la deposición del rey Enrique y la elevación al trono de rey niño Alfonso. Dicha noción se articularía en torno a dos conceptos: por un lado, la importancia del amor político, expresado a través de la máxima que aconsejaba al príncipe ser más amado que temido; por otro lado, el derecho de resistencia al tirano, que llevaría a afirmar a Chinchilla, siguiendo a Boccaccio, que «no ay sacrificio más plazible a Dios que la sangre del tirano» (fol. 56r).

Palavras-chave: Condes de Benavente, Pedro de Chinchilla, nobreza, Coroa de Castela, pecado.
Palabras-Clave:: Condes de Benavente, Pedro de Chinchilla, nobleza, Corona de Castilla, pecado.
David Nogales Rincón

Universidad Autónoma de Madrid
 

Edições modernas

Gille Levenson, Matthias. Edición crítica de dos textos de Pedro de Chinchilla: “Carta con un breve conpendio”, seguida de “Exortaçión o ynformaçión de sana e breve doctrina”. Mémoire de Master I inédita, dir. Carlos Heusch, Master Études Hispanophones. Lyon: École Normale Supérieure de Lyon, Département d’Études Hispanophones, 2015 [en línea].

NOGALES RINCÓN, David. “Carta y Breve compendio” y “Exhortación o información de buena y sana doctrina” de Pedro de Chinchilla: estudio y edición. Valencia: Universitat de València, 2017.
 

Trecho traduzido e modernizado

Carta com um breve compêndio, enviada por Pedro de Chinchilla ao muito excelente e muito magnífico e virtuoso senhor dom Rodrigo Afonso Pimentel, conde de Benavente, legítimo sucessor dos muito excelentes e magníficos senhores dom Rodrigo Alonso Pimentel, seu avô, e de dom Afonso Pimentel, seu pai, feito e ordenado por ele, na cidade de Alcaraz, no mês de junho, ano da encarnação do Nosso Redentor e Salvador Iesus de mil e quatrocentos e sessenta e seis anos.

Como eu passo meu retiro lendo, para fugir do ócio, encontrei em diversos livros ordenados tanto por autênticos historiadores quanto por homens, especialmente aqueles que ocupam postos de grandes dignidades e estados e que são trazidos a este mundo pela fortuna e a recebem de diversas formas, ainda que em sua vida sejam honestos e bem equilibrados. Pois mais falha ser trazido aqueles que passaram sua vida disolutamente, envoltos em vícios e grandes pecados, seguindo seus apetites desgovernados, dando má conta de si e dos povos incumbidos a eles por Deus todo poderoso, que os criou tão nobres, com o benefício da razão e lhe deu o senhorio sobre os outros.
 
Autor: Pedro de Chinchilla.

Nome da obra: Carta y breve compendio.

Data: 1466 [manuscrito].

Lugar de composição ou impressão: Alcaraz (Albacete).

Imagem de uma folha do prólogo do documento. Biblioteca de Menéndez Pelayo (Santander), M-88, fol. 36r.

 

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