Obras pastorais e Doutrinárias

Libro que dio maestre Pedro Marín al Conde [De Haro] de los sermones en romance

  • Alberto Ruiz-Berdejo Beato - Universidad Pablo de Olavide
  • Silvia María Pérez González - Universidad Pablo de Olavide

Livro que deu Mestre Pedro Marín ao Conde [de Haro] dos sermões em romance


Esta coleção de sermões está conservada na Biblioteca Nacional e se encontra inserida no manuscrito 9433. De autoria anônima, é composta por quatro sermões que querem servir como objeto de meditação sobre aspectos essenciais da vida terrena. O primeiro versa sobre a inevitabilidade da morte, a proximidade do fim do mundo e a necessidade de praticar a penitência a partir de variados temas de contempto mundi. O segundo sermão trata das formas de morte e da obtenção do paraíso, com ênfase especial na morte do homem mundano. O terceiro reivindica a esperança que representa a misericórdia de Deus, considerada o único caminho de salvação. Finalmente, o quarto sermão se volta ao tema da penitência como meio principal para se salvar.

A autoria dos sermões foi atribuída a São Vicente Ferrer (Valência, 1350 – Vannes, 1419). Estudou em Valência, Barcelona e Toulouse, ao mesmo tempo que desempenhava um destacado papel no Cisma do Ocidente com seu apoio a Clemente VII primeiro e, mais tarde, a Benedito XIII. Também esteve presente nas deliberações do Compromisso de Caspe. Foi um dos pregadores mais famosos da Baixa Idade Média e com seus sermões percorreu grande parte do Ocidente europeu, até então devastado pela guerra, pela epidemia da peste negra, além da crise provocada pelo Cisma. Teve um destacado papel na fundação do Estudio General de Valencia, origem da Universidade.

A obra mais importante de São Vicente foram os seus sermões que, com uma temática muito diversa, se ocupam da conversão dos judeus do Cristianismo, da reforma do clero ou dos costumes dos laicos, entre outros temas. Os sermonários vicentinos que estão conservados são o resultado de um processo de formação complexo, pois ao menos passaram por três etapas linguísticas, fruto das quais foram incorporadas as contribuições dos diferentes participantes. Se trata, em primeiro lugar, de notas tomadas durante a pregação do sermão ou pouco depois, seguidas de um processo reconstrutivo do original e originais. Finalmente, foi efetuada a transcrição das distintas cópias disponíveis. 

Os sermões vicentinos se centram na Patrística da Alta Idade Média, na Escolástica, nas Sagradas Escrituras e, especialmente, na literatura de caráter moral do século XIV. Dado o contexto histórico em que ele viveu, o Juízo final, a predestinação, a pobreza ou a exclusão social foram temas recorrentes em seu sermonário. Desta forma se constituíram em uma excelente via de informação para um auditório praticamente analfabeto. 

Normalmente, os sermões contam com uma estrutura mais ou menos definida que se inicia com o cabeçalho ou o título, que inclui uma definição do sermão, data, localização e o número que representa em um mesmo lugar. Se segue uma introdução que escolhe o tema bíblico ou o versículo em que se baseia, uma saudação à audiência e a lembrança da festa do ano litúrgico que se celebrava no dia da pregação. Na continuação figuram os conteúdos e a função do sermão para se compreender as Escrituras e sua aplicação prática na vida dos fiéis.

O sermão prossegue com uma invocação a Virgem e a reza de Ave Maria, seguidos da formulação das partes que a constituem e do desenvolvimento do próprio sermão. Neste se manifesta o profundo conhecimento que São Vicente tinha desde o ponto de vista teológico, assim como uma vasta cultura eclesiástica, um bom exemplo disso são as citações aos Pais da Igreja, aos santos, acompanhadas de referências ao mundo clássico. Todo ele se mostra acompanhado de diálogos, lirismo, exempla, anedotas cotidianas, exaltados pelos excelentes dotes oratórios vicentinos. O encerramento é composto por algumas fórmulas finais, bem como pela absolvição e pela benção.

Um bom exemplo é o sermão IV. Os três membros principais do sermão são o resultado da aplicação do método exegético em três vias: exposição literal ou histórica; alegórica ou figurativa; e tropológica ou moral. No primeiro membro, a partir de um capítulo inteiro dos Feitos dos Apóstolos, se esclarecem alguns termos que podem ser utilizados para uma explicação alegórica ou tropológica. Ao mesmo tempo se enriquece com um diálogo imaginado ou com referências a outras partes do texto. Frente à austeridade retórica do texto bíblico, o recurso da representação plástica ou das dramatizações alegóricas mentais o revitaliza.

A segunda parte desenvolve o tema fundamental da pregação de São Vicente Ferrer e da maioria dos pregadores populares medievais. Se trata da penitência e da conversão do pecador. 

Por sua vez, o terceiro sermão se estrutura em duas partes com um importante conteúdo de caráter teológico escolástico. Na primeira, cujo tema central é se um Deus há proeminência da justiça ou da misericórdia, se utiliza a Quaestio 21 de São Tomás de Aquino, enquanto a segunda se inspira na Summa Theologica. Se recorre ao procedimento mnemotécnico das cláusulas rimadas, características da predição no fim da Idade Média.

As predicações de São Vicente chegaram a se converter em grandes acontecimentos que eram preparados pelas cidades como se tratasse de uma visita real. Depois que o sermão foi autorizado pelas autoridades civis e eclesiásticas, foi divulgado através de proclamações, bandas, cartazes, sendo recebido São Vicente ao entardecer acompanhado do seu clero e devotos colaboradores. As pessoas do lugar saíam pela recebê-lo no calor das multidões, tratando de beijar-lhe a mão e de receber sua benção. Ao ingressar pela porta da cidade ajoelhou-se, para então ser recebido na praça principal. Em procissão, se dirigia ao lugar onde pregaria, que devia ser amplo e espaçoso, para acolher a multidão fervorosa, tendo sido construído um estrado de madeira elevado com um altar. 

Vestido com vestes litúrgicas, celebrava uma missa solene acompanhada de músicos trazidos pelo próprio São Vicente. No final a mesma, voltava a vestir a capa, escapulário branco e capuz negro sobre a túnica, característicos do hábito dominicano. Se o tempo permitisse, se realizava uma procissão de caráter penitencial.

Uma das armas mais poderosas de São Vicente eram suas insuperáveis capacidades de oratória. Dotado de excelentes técnicas comunicativas, potenciadas com o poder de sua voz, era capaz de comover os ânimos, mas também de despertar o sentimento de culpa em relação aos vícios castigados pela Igreja. Recorria à linguagem gestual e às distintas inflexões da voz para conseguir reconduzir o público para suas diferentes intenções. O emprego de dramatizações, diálogo com personagens, jaculatórias, as perguntas retóricas, a interação dos ouvintes ou das dramatizações conseguiram dotar de uma extraordinária vivacidade aos seus sermões.

Libro que dio maestre Pedro Marín al Conde [De Haro] de los sermones en romance

Esta colección de sermones se conserva en la Biblioteca Nacional y se encuentra inserta en el manuscrito 9433. De autor anónimo, se compone de cuatro sermones que quieren servir como objeto de meditación sobre aspectos esenciales de la vida terrena. El primero versa sobre lo inevitable de la muerte, la proximidad del fin del mundo y la necesidad de practicar la penitencia a partir de variados temas de contemptu mundi. Sobre las formas de la muerte y la consecución del paraíso trata el segundo sermón, con especial énfasis en la muerte del hombre mundano. El tercero reivindica la esperanza que representa la misericordia de Dios, considerada el único camino de salvación. Finalmente, el cuarto sermón vuelve al tema de la penitencia como medio principal para salvarse.

La autoría de los sermones ha sido atribuida a san Vicente Ferrer (Valencia, 1350-Vannes, 1419). Estudió en Valencia, Barcelona y Toulouse, al tiempo que tuvo un papel destacado en el cisma de Occidente en su apoyo a Clemente VII primero y, más tarde, a Benedicto XIII. También estuvo presente en las deliberaciones del Compromiso de Caspe. Fue uno de los predicadores más famosos de la Baja Edad Media y con sus sermones recorrió gran parte del Occidente europeo, por entonces asolado por la guerra, la epidemia de peste negra además de la crisis provocada por el Cisma. Tuvo un papel muy destacado en la fundación del Estudio General de Valencia, origen de la Universidad.

La obra más importante de san Vicente fueron sus sermones que, con una temática muy diversa, se ocupan de la conversión de los judíos al cristianismo, la reforma del clero, o las costumbres de los laicos, entre otros temas. Los sermonarios vicentinos que se conservan son el resultado de un proceso de formación complejo, pues al menos han pasado por tres etapas lingüísticas fruto de las cuales se han ido incorporando aportaciones de los distintos intervinientes. Se trata, en primer lugar, de notas tomadas durante la predicación del sermón o poco después, seguidas de un proceso reconstructivo del original y originales. Finalmente, se efectuó la transcripción de las distintas copias disponibles. 

Los sermones vicentinos se centran en la Patrística altomedieval, la Escolástica, las Sagradas Escrituras y, especialmente, en la literatura de carácter moral del siglo XIV. Dado el contexto histórico que le tocó vivir, el Juicio final, la predestinación, la pobreza o la exclusión social fueron temas recurrentes en su sermonario. De esta forma se constituyeron en una excelente vía de información para un auditorio prácticamente analfabeto.

Normalmente los sermones cuentan con una estructura más o menos definida que se inicia con el encabezamiento o título, que incluye una definición del sermón, fecha, localización, y el número que representa en un mismo lugar. Le sigue una introducción que recoge el tema bíblico o el versículo en el que se basa, un saludo a la audiencia y el recordatorio de la fiesta del año litúrgico que se celebraba el día de la predicación. A continuación, figuran los contenidos y la función del sermón para comprender las Escrituras y su aplicación práctica en la vida de los fieles. 

El sermón prosigue con una invocación a la Virgen y el rezo del Ave María, seguidos de la formulación de las partes de la que constará, y del desarrollo del propio sermón. En este se pone de manifiesto el profundo conocimiento que san Vicente tenía desde el punto de vista teológico, así como una vasta cultura eclesiástica, De ello son buena muestra las citas a los Padres de la Iglesia, a los santos, acompañadas de referencias al mundo clásico. Todo ello se muestra acompañado de diálogos, lirismos, exempla, anécdotas cotidianas, ensalzados por las excelentes dotes oratorias vicentinas. El cierre se compone de unas fórmulas finales, así como de la absolución y bendición. 

De todo ello es buen ejemplo el sermón IV. Los tres miembros principales del sermón son el resultado de la aplicación del método exegético a tres bandas: exposición literal o histórica, alegórica o figural y tropológica o moral. En el primer miembro, a partir de un capítulo entero de los Hechos de los apóstoles, se aclaran algunos términos que pueden ser utilizados para una explicación alegórica o tropológica. Al mismo tiempo se enriquece con un diálogo imaginado o con referencias a otras partes del texto. Frente a la austeridad retórica del texto bíblico, el recurso a la representación plástica o las dramatizaciones alegóricas mentales lo revitaliza  

La segunda parte desarrolla el tema fundamental de la predicación de san Vicente Ferrer y de la mayoría de los predicadores populares medievales. Se trata de la penitencia y la conversión del pecador. 

Por su parte, el tercer sermón se estructura en dos partes con un importante contenido de carácter teológico escolástico. En la primera, cuyo tema central es si en Dios tiene preeminencia la justicia o la misericordia, se utiliza la Quaestio 21 de santo Tomás de Aquino, mientras que la segunda se inspira en la Summa theologica. Se recurre al procedimiento mnemotécnico de las cláusulas rimadas, características de la predicación finimedieval. 

Las predicaciones de san Vicente llegaron a convertirse en grandes acontecimientos que eran preparadas por las ciudades como si de una visita real se tratase. Tras ser autorizado el sermón por las autoridades civiles y eclesiásticas, se publicitaba mediante pregones, bandos y carteles, siendo recibido san Vicente al atardecer acompañado de sus colaboradores clérigos y devotos. Las gentes del lugar salían a recibirlo en olor de multitudes, tratando de besarle la mano y de recibir su bendición. Al ingresar por la puerta de la ciudad se arrodillaba, para a continuación ser recibido en la plaza mayor. En procesión se dirigía al lugar donde iba tener lugar la predicación, que debía ser amplio y espacioso, para acoger a la multitud fervorosa, habiéndose erigido un elevado estrado de madera con un altar. 

Ataviado con los ornamentos litúrgicos, celebraba una solemne misa acompañada de músicos traídos por el propio san Vicente. A la conclusión de la misma, volvía a vestir la capa, escapulario blanco y capuchón negro sobre la túnica, característicos del hábito dominico. Si el tiempo lo permitía se realizaba una procesión de carácter penitencial.

Una de las armas más poderosas de san Vicente eran sus insuperables capacidades de oratoria. Dotado de unas excelentes técnicas comunicativas que potenciaba con el poder de su voz, era capaz de conmover los ánimos, pero también de despertar el sentimiento de culpabilidad en relación a los vicios castigados por la Iglesia. Recurría al lenguaje gestual y a las distintas inflexiones de la voz para conseguir reconducir al auditorio hacia sus distintas intenciones. El empleo de dramatizaciones, diálogos con personajes, jaculatorios, las preguntas retóricas, la interacción de los oyentes o las dramatizaciones conseguían dotar de una extraordinaria viveza a sus sermones.

Alberto Ruiz-Berdejo Beato
Universidad Pablo de Olavide
Silvia María Pérez González
Universidad Pablo de Olavide

Edições Modernas

CÁTEDRA, Pedro M. (Ed.). Los sermones atribuidos a Pedro Marín. Van añadidas algunas noticias sobre la predicación castellana de san Vicente Ferrer. Salamanca: Universidad de Salamanca, 1990.

Trecho traduzido e modernizado

Bem-aventurados aos mortos que desde agora morrem no Senhor

Para conclusão do tema é de entender que entre certas penas que nosso Senhor pôs pelo pecado uma foi em certo grau geral, que nenhuma pessoa em carne vivente vasta que nem será daqui em diante será dela isenta. Esta é a morte corporal. Daquela sentença “Amaldiçoada é a terra em seu trabalho” (Gênesis terceiro) foi Cristo isento (salmo – Abençoaste, Senhor, a tua terra; fizeste regressar os cativos de Jacó), contudo, não da morte. Daquela sentença “com dor darás à luz filhos” (Gênesis terceiro) foi isenta Nossa Senhora, mas não da morte. De outra sentença “No suor do teu rosto comerás o teu pão” (Gênesis terceiro) são isentas as crianças pequenas, mas não da morte. Portanto, disse o Apóstolo (Hebreus nono): “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo”.



Autor da obra:
Pedro Marín.
Título da obra: Libro que dio maestre Pedro María al conde [de Haro] delos sermones en romance
Data: c. 1425
Local: Castela
Imagem: Libro que dio maestre Pedro Marín al Conde [de Haro] de los sermones en romance MS. 9433, f. 1 Biblioteca Nacional de Espanha
http://bdh-rd.bne.es/viewer.vm?id=0000105556&page=1

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