Obras pastorais e Doutrinárias

Las homilías sobre el Evangelio de san Mateo de san Juan Crisóstomo, traducidas por fray Alonso de Palenzuela para el rey Juan II de Castilla

  • Guillermo Fernando Arquero Caballero - UNED (Departamento de historia de la Educación)

As homilias sobre o Evangelho de São Mateus de San Juan Crisóstomo, traduzidas pelo frei Alonso de Palenzuela para o rei Juan II de Castela.


Em algum momento entre 1449 e 1454, frei Alonso de Palenzuela (OFM), confessor e pregador do rei Juan II de Castela, traduziu ao castelhano as homílias sobre o Evangelho de São Mateus de San Juan Crisóstomo. O rei sempre havia mostrado interesse pela cultura, e, portanto, em sua corte se reuniram importantes intelectuais que escreveram ou traduziram obras para ele (tratados políticos, ascéticos, clássicos...). No século XV houve a recepção de muitas obras gregas na corte real e nas cortes nobiliárias de Castela. Muitas dessas obras gregas chegaram em traduções latinas, como é o caso da obra que aqui comentamos. 

O rei Juan II deve ter mostrado interesse particular em San Juan Crisóstomo, pois também pediu a Alonso de Cartagena que comentasse um breve tratado atribuído a este Pai da Igreja que hoje se conserva na Real Biblioteca do Escorial (a-IV-7, fols. 29r-50v). Por outro lado, sua filha, a rainha Isabel I, conservou a tradução das homílias sobre São Mateus e deve tê-las tido em grande estima, pois guardou para si, ao contrário de outros escritos de San Juan Crisóstomo, que vendeu ou doou. Tanto Juan II, como Isabel I, compreendiam o latim, mas muitas obras latinas foram traduzidas para ambos os monarcas, como o caso que aqui nos ocupa. Talvez buscassem com isso uma compreensão mais fácil ou próxima dos textos, ou que se aproveitassem das outras pessoas ao seu redor. 

O tradutor das homílias, Alonso de Palenzuela, chegou à corte em 1450 ou antes, na qualidade de pregador e confessor, do rei e da rainha. Já era, então, um frei célebre, pois havia ocupado postos de responsabilidade na ordem franciscana (guardião do convento de Salamanca, provincial de Castela) e havia ensinado teologia na Universidade de Salamanca, onde se destacou pelo seu conhecimento das Sagradas Escrituras, até o ponto em que Pablo de Santa María elogiou sua sabedoria (junto com sua virtude moral) no Scrutinium Scripturarum. É possível que Alonso de Palenzuela fosse de origem judia-convertida, posto que o próprio papa Pio II assim o afirma em suas memórias. Não obstante, veio de uma família nobiliária: os Herrera de Palenzuela. Em Salamanca teve como discípulo Rodrigo Sánchez de Arévalo, que o consideraria, ainda que anos depois, seu mestre.

Das homílias de São Mateus traduzidas do latim ao espanhol conservamos três exemplares. Só de um deles, conservado na biblioteca Lázaro Galdiano (M5-5-3), sabemos que a tradução foi feita por Alonso de Palenzuela a pedido do rei Juan II e que a fez a partir da versão latina de Aniano de Celeda (séc. V). A questão é que, deste autor, só se conserva a tradução das primeiras 25 homílias. O manuscrito da biblioteca Lázaro Galdiano inclui outras três homílias a mais.  Por outro lado, um exemplar da Real Biblioteca do Escorial coleta as homílias de 1 a 27 (manuscrito b-II-18). Ele se completa com o manuscrito da biblioteca Menéndez Pelayo de Santander (M-559A), que possui a tradução das homílias de 26 a 49. A obra completa de San Juan Crisóstomo sobre o Evangelho de São Mateus consta de 90 homílias.

É possível que Alonso de Palenzuela só tenha traduzido as homílias contidas nos exemplares das bibliotecas Lázaro Galdiano e Escorial, correspondentes à versão de Aniano de Celeda. Contudo, este apenas traduziu 25 homílias e estes manuscritos contém algumas homílias a mais. É por isso que podemos sugerir a hipótese de que as homílias contidas no exemplar da biblioteca Menéndez Pelayo também  foram traduzidas por Alonso de Palenzuela. Além disso, mantém uma estrutura e estilo. Para as homílias que Aniano de Celeda não traduziu, Alonso de Palenzuela se baseou, com total segurança, na tradução do grego ao latim que fez o célebre humanista Jorge de Trebisonda (1395-1486) para o papa Nicolau V, e que procurava, precisamente, completar a obra de Aniano de Celeda. 

Jorge de Trebisonda manteve muito contato com pessoas procedentes de Castela, como Alonso de Palencia ou o mesmo Rodrigo Sánchez de Arévalo, e em sua condição de secretário pontifício atendeu a assuntos relacionados com a Igreja castelhana (sua firma aparece, por exemplo, no folio 262v do registro lateranense 469, em um documento de 1451 atendendo a uma solicitação de Lope de Barrientos, na mesma época em que Alonso de Palenzuela estava na corte de rei Juan II). Monfasani sugere que as obras de Trebisonda que se encontram na Espanha poderiam muito bem ser copiadas ou traduzidas por espanhóis em Roma, inclusive dos seus próprios exemplares pessoais. Neste contexto, não é surpreendente que as homílias sobre o Evangelho de São Mateus chegassem às mãos do rei de Castela. Atualmente, se conserva um exemplar em latim na Biblioteca Nacional de Espanha que pertenceu aos duques de Osuna (manuscrito 10308). Portanto, podemos sugerir que, muito provavelmente, Alonso de Palenzuela finalizou a tradução em Castela. No entanto, na época de Henrique IV, seria ele o principal diplomata daquele reinado, encabeçando numerosas embaixadas na Itália. É possível que no reinado de Juan II ele já tinha se mudado para a Itália e, ali, entrou em contato com a obra de Jorge de Trebisonda ou com o próprio humanista. Porém, esta é uma mera suposição sem base documental.

As homílias contidas nos manuscritos da biblioteca Lázaro Galdiano e o Escorial tratam sobre as passagens evangélicas desde a genealogia de Jesus Cristo (homília 1 sobre Mt. 1) até o milagre em que Cristo acalma as águas (homília 28, sobre Mt. 8, 23ss). O exemplar da biblioteca Menéndez Pelayo contém desde a passagem sobre a prova de fé do centurião (homília 49, Mt. 14, 13ss). Todas as homílias se dividem em duas partes. A primeira recebe o nome específico de “homília” (que Alonso de Palenzuela traduz como “omelia”) e vem encabeçada pelo versículo que vai ser comentado em latim e, a continuação, sua tradução em castelhano. A segunda parte da homília consiste em uma exortação moral a partir do comentário sobre as passagens do evangelho que foi feito na primeira parte. Guillaume Bady sugere que essa segunda seção foi destacada após a época de San Juan Crisóstomo, e conhecido como ἠθικά (exhortatio na versão latina) e que Alonso de Palenzuela traduz como “exortação”, e vem sempre no topo com uma sentença ou máxima que resume toda a seção, algo que já estava presente na versão latina de Jorge de Trebisonda. Essas exortações eram as partes onde se condensavam os ensinamentos morais que se queria transmitir e às vezes eram compilados em exemplares separados do resto das homílias. Isto não seria algo original de Alonso de Palenzuela, mas a separação entre homília e exortação moral fica mais marcada em sua tradução que em vários exemplares latinos. Parece que o confessor e pregador do rei Juan II queria destacar o ensinamento moral das homílias.

Lendo os manuscritos se aprecia o valor que podia ter esta obra para o rei Juan II como fonte de meditação sobre questões ascéticas. Este monarca demonstrou inclinação a temas de piedade pessoal, como os tratados de Lope de Barrientos sobre questões que se referem à adivinhação (após a extinção da biblioteca do Marquês de Villena) ou o mencionado tratado escurialense de Alonso de Cartagena que se intitula “um tratado feito por San Juan Crisóstomo. No qual demonstra e conclui que nenhuma pessoa se dana ou é danada senão por si mesma.” (a-IV-7, fol. 29). Assim, encontramos homílias que exortam contra a acídia e a usura (homília 5: “não basta mais confiar na virtude dos outros, mas nos é necessário viver bem e não ser usureiros”, b-II-18, fol. 47r) ou que mostram o valor da humildade (homília 3), da esmola e os perigos dos jogos (homília 7) ou da importância da confissão frequente (homília 26: “que não convém aos seres em pecado se confessar até o fim, nem desesperar aos que caíram”, M-559A, fol. 7r).

Também encontramos homílias ascético-morais que adquirem um sentido político no contexto da realiza, como aquelas em que se exorta a procurar bons conselheiros (homília 13), evitar os aduladores (homília 15) ou a homília 24, onde é enfatizado que a verdadeira grandeza reside na virtude e não no poderio temporal (“a pior coisa é que a pena cair do reino e que a vida virtuosa faz ser clara e nobre não as riquezas e o poderio, b-II-18, fol. 213v). Deste modo, se adverte o monarca que, no caso de não seguir a retidão da justiça, será especificamente  castigado por Deus devido às graças que nele foi depositado: “os poderosos, poderosamente, serão atormentados. E ele que conheceu a vontade de seu senhor e não a faz será ferido de grandes açoites. E, assim, o conhecimento de muitas coisas fazem as punições dos pecados mais duros” (M-559A, fol. 7v). Esse tópico não era novo: nas glosas do Regimiento de Principes de frei Juan García de Castrogeriz (tradução e comentário de De Regime Principum de Egidio Romano) se manifesta algo similar. A rainha Isabel também demonstrou ter esta convicção em uma carta ao frei Hernando de Talavera. Não parece casual que a rainha tivesse sob seu poder tanto as homílias traduzidas por Alonso de Palenzuela como o Regimento de Principes. San Juan Crisóstomo parecia servir, no momento certo, a esta educação político-moral do rei, pois frei Ambrosio de Montesino ao traduzir a Vita Christi (ou Vida de Cristo) para a rainha, incluiu em seu prólogo ideias do patriarca oriental, com a qual

(…) configura uma estrutura de ideias morais e religiosas que possa se incardinar ao regimento dos reinos, pelos “afãs justos e suores contínuos” que requer a dura carga da governança política, uma vez distante da vã ociosidade, suporte principal dos vícios e da ambição desordenada que poderia converter os monarcas em tiranos.¹

Sobre a tradução em si, deve-se notar que é muito fidedigna à versão latina. Alonso de Palenzuela evita utilizar um estilo demasiado sofisticado e usa uma linguagem simples e natural, ainda que procure alterar o menos possível o texto (por exemplo, mantém quando possível os particípios latinos presentes como substantivos tanto quanto possível). Trata, assim, que seja acessível ao leitor comum. As únicas interpolações que faz tem como objetivo a melhor compreensão do texto. Por exemplo, na homília 26, quando se fala sobre o centurião em Cafarnaum, explica que um centurião é “um homem grande” (M-559ª, fol. 1r), esclarecimento que não encontramos na tradução latina de Jorge de Trebisonda.


Las homilías sobre el Evangelio de san Mateo de san Juan Crisóstomo, traducidas por fray Alonso de Palenzuela para el rey Juan II de Castilla


En algún momento entre 1449 y 1454 fray Alonso de Palenzuela (OFM), confesor y predicador del rey Juan II de Castilla, tradujo al castellano las homilías sobre el Evangelio de san Mateo de san Juan Crisóstomo. El rey siempre había mostrado interés por la cultura, y por ello en su corte se reunieron importantes intelectuales que escribieron o tradujeron obras para él (tratados políticos, ascéticos, clásicos...). En el siglo XV se dio la recepción de muchas obras griegas en la corte real y en las cortes nobiliarias de Castilla. Muchas de estas obras griegas llegaron en traducciones latinas, como es el caso de la obra que aquí comentamos. 

El rey Juan II debía mostrar interés particular en san Juan Crisóstomo, pues también pidió a Alonso de Cartagena que le comentase un breve tratado atribuido a este Padre de la Iglesia que hoy se conserva en la Real Biblioteca de El Escorial (a-IV-7, fols. 29r-50v). Por otro lado, su hija, la reina Isabel I, conservó la traducción de las homilías sobre san Mateo y debió de tenerlas en gran estima, pues la retuvo para sí a diferencia de otros escritos de san Juan Crisóstomo que vendió o regaló. Tanto Juan II como Isabel I comprendían el latín, pero muchas obras latinas fueron traducidas para ambos monarcas, como el caso que aquí nos ocupa. Quizá buscaban con ello una comprensión más fácil o cercana de los textos o que aprovechasen a otras personas de su entorno.

El traductor de las homilías, Alonso de Palenzuela, llegó a la corte en 1450 o antes, en calidad de predicador y confesor del rey y de la reina. Ya era para entonces un fraile célebre pues había ocupado puestos de responsabilidad en la orden franciscana (guardián del convento de Salamanca, provincial de Castilla...) y había enseñado teología en la Universidad de Salamanca, donde se destacó por su conocimiento de las Sagradas Escrituras, hasta el punto de que Pablo de Santa María alabó su sabiduría (junto con su virtud moral) en el Scrutinium Scripturarum. Es posible que Alonso de Palenzuela fuese de origen judeoconverso, puesto que el propio papa Pío II así lo afirma en sus memorias. No obstante, provenía de una familia nobiliaria: los Herrera de Palenzuela. En Salamanca tuvo como discípulo a Rodrigo Sánchez de Arévalo, el cual lo consideraría todavía años después como su maestro. 

De las homilías de san Mateo traducidas del latín al español conservamos tres ejemplares. Sólo por uno de ellos, conservado en la biblioteca Lázaro Galdiano (M 5- 5- 3), sabemos que la traducción fue hecha por Alonso de Palenzuela a petición del rey Juan II y que lo hizo a partir de la versión latina de Aniano de Celeda (siglo V). La cuestión es que, de este autor, solo se conserva la traducción de las primeras 25 homilías. El manuscrito de la biblioteca Lázaro Galdiano incluye otras tres homilías más. Por otro lado, un ejemplar de la Real Biblioteca de El Escorial recoge las homilías 1 a 27 (manuscrito b-II-18). Ello se completa con el manuscrito de la biblioteca Menéndez Pelayo de Santander (M-559 A), que recoge la traducción de las homilías 26 a 49. La obra completa de san Juan Crisóstomo sobre el Evangelio de san Mateuo consta de 90 homilías. 

Es posible que Alonso de Palenzuela sólo tradujese las homilías que se contienen en el ejemplar de la biblioteca Lázaro Galdiano y El Escorial, correspondientes a la versión de Aniano de Celeda. Sin embargo, éste sólo tradujo 25 homilías y estos manuscritos contienen algunas homilías más. Es por ello que podemos plantear la hipótesis de que las homilías que se contienen en el ejemplar de la biblioteca Menéndez Pelayo también fueron traducidas por Alonso de Palenzuela. Además, mantienen una misma estructura y estilo. Para las homilías que no tradujo Aniano de Celeda, Alonso de Palenzuela se basó con total seguridad en la traducción del griego al latín que hizo el célebre humanista Jorge de Trebisonda (1395-1486) para el papa Nicolás V, y que perseguía precisamente completar la obra de Aniano de Celeda.  

Jorge de Trebisonda mantuvo mucho contacto con personas procedentes de Castilla, como Alfonso de Palencia o el mismo Rodrigo Sánchez de Arévalo, y en su condición de secretario pontificio atendió asuntos relacionados con la Iglesia castellana (su firma aparece, por ejemplo, en el folio 262v del registro lateranense 469, en un documento de 1451 atendiendo una solicitud de Lope de Barrientos, en la misma época en que Alonso de Palenzuela estaba en la corte del rey Juan II). Monfasani plantea que las obras de Trebisonda que se encuentran en España bien pudieron ser copiadas o traducidas por españoles en Roma, incluso de sus propios ejemplares personales. En este contexto, no es extraño que las homilías sobre el Evangelio de san Mateo llegasen a manos del rey de Castilla. Actualmente, se conserva un ejemplar en latín en la Biblioteca Nacional de España que perteneció a los duques de Osuna (manuscrito 10308). Por ello, podemos plantear que, muy probablemente, Alonso de Palenzuela llevó a cabo la traducción en Castilla. No obstante, en época de Enrique IV sería el principal diplomático de aquel reinado, encabezando numerosas embajadas a Italia. Es posible que en el reinado de Juan II ya se hubiese desplazado a Italia y allí entrase en contacto con la obra de Jorge de Trebisonda o con el mismo humanista. Pero esto es una mera suposición sin base documental. 

Las homilías recogidas en los manuscritos de la biblioteca Lázaro Galdiano y El Escorial tratan sobre los pasajes evangélicos desde la genealogía de Jesucristo (homilía 1. sobre Mt 1) hasta el milagro en que Cristo apacigua las aguas (homilía 28, sobre Mt 8, 23ss). El ejemplar de la biblioteca Menéndez Pelayo recoge desde el pasaje de la prueba de la fe del centurión (homilía 26, sobre Mt 8, 5-14) hasta la retirada de Cristo a orar tras la predicación en el lago (homilía 49, Mt 14, 13ss). Todas las homilías se dividen en dos partes. La primera parte recibe el nombre específico de “homilía” (que Alonso de Palenzuela traduce como “omelia”) y viene encabezada por el versículo que se va a comentar en latín y, a continuación, su traducción al castellano. La segunda parte de la homilía consiste en una exhortación moral a partir del comentario sobre los pasajes evangélicos que se han hecho en la primera parte.  Guillaume Bady plantea que este segundo apartado fue singularizado posteriormente a la época de san Juan Crisóstomo, y conocido como ἠθικά (exhortatio en la versión latina) y que Alonso de Palenzuela traduce como “exhortaçión”, y viene siempre encabezas con una sentencia o máxima que resume todo el apartado, algo que ya estaba presente en la versión latina de Jorge de Trebisonda. Estas exhortaciones eran las partes donde se condensaba la enseñanza moral que se quería transmitir y a veces se recopilaron en ejemplares separados del resto de las homilías. Esto no sería algo original de Alonso de Palenzuela, pero la separación entre homilía y exhortación moral es más marcada en su traducción que en varios ejemplares latinos. Parece que el confesor y predicador del rey Juan II querría remarcar la enseñanza moral de las homilías.

Leyendo los manuscritos se aprecia el valor que podía tener esta obra para el rey Juan II como fuente de meditación sobre cuestiones ascéticas. Este monarca demostró inclinación hacia temas de piedad personal, como los tratados de Lope de Barrientos sobre cuestiones referidas a la adivinación (tras la expurgación de la biblioteca del marqués de Villena) o el mencionado tratado escurialiense de Alonso de Cartagena que se titula “un tractado de fizo sant Johan Crisóstomo. El qual demuestra e concluye que ninguna persona se danna o es dannada si non por si mesma” (a-IV-7, fol. 29). Así, encontramos homilías que exhortan contra la acidia y la usura (homilía 5: “non abasta confiar en la virtud de los otros mas más nos es nesçesario vevir bien e non ser usureros”, b-II-18, fol. 47r) o que muestran el valor de la humildad (homilía 3), de la limosna y el peligro de los juegos (homilía 7) o la importancia de la confesión frecuente (homilía 26: “que non conviene alos estantes en pecado confessarse fasta la fin nin desesperar alos que cayeron”, M-559 A, fol. 7r). 

También encontramos homilías ascético-morales que adquieren un sentido político en el contexto de la realeza, como aquellas en las que se exhorta a procurarse buenos consejeros (homilía 13), evitar a los aduladores (homilía 15) o la homilía 24, donde se incide en que la verdadera grandeza reside en la virtud y no en el poderío temporal (“más peor cosa es que la pena caer del reyno e que la vida virtuosa faze ser clara e noble non las riquezas e el poderío”, b-II-18, fol. 213v). De este modo, se advierte al monarca de que, en caso de no seguir la recta vía de la justicia, será especialmente castigado por Dios debido a las gracias que en él se han depositado: “los poderosos poderosamente serán atormentados. E el que conosçió la voluntad de su señor e non la faze será ferido de grandes açotes. E assí el conosçimiento de muchas cosas faze las penas delos pecados más duras” (M-559 A, fol. 7v). Este tópico no era nuevo: en las glosas al Regimiento de Príncipes de fray Juan García de Castrogeriz (traducción y comentario de De Regimine Principum de Egidio Romano) se manifiesta algo similar. La reina Isabel también demostró tener esta convicción en una carta a fray Hernando de Talavera. No parece casual que la reina tuviese bajo su poder tanto las homilías traducidas por Alonso de Palenzuela como el Regimiento de Príncipes. San Juan Crisóstomo parecía servir oportunamente a esta educación político-moral del rey, pues fray Ambrosio de Montesino al traducir la Vita Christi para la reina, incluyó en su prólogo ideas del patriarca oriental con el que 


(…) configura una estructura de ideas morales y religiosas que pueda incardinarse al regimiento de los reinos, por los “afanes justos e sudores continuos” que requiere la dura carga de la gobernación política, una vez alejada de la vana ociosidad, soporte principal de los vicios, y de la desordenada codicia que podía convertir a los monarcas en tiranos.²


Sobre la traducción en sí, se ha de notar que es muy fidedigna a la versión latina. Alonso de Palenzuela elude emplear un estilo demasiado sofisticado y usa un lenguaje sencillo y natural aunque procura alterar lo menos posible el texto (por ejemplo, mantiene en lo posible los participios de presente latino a modo de sustantivos). Trata así de ser accesible a un lector común. Las únicas inerpolaciones que hace tienen como objetivo la mejor comprensión del texto. Por ejemplo, en la homilía 26, cuando se habla sobre el centurión en Cafarnaún, explica que un centurión es “un grande ombre” (M-559 A, fol. 1r), aclaración que no encontramos en la traducción latina de Jorge de Trebisonda. 

¹ GÓMEZ REDONDO, F.,Historia de la prosa de los Reyes Católicos: el umbral del Renacimiento, tomo I, Madrid: Cátedra, 2012, p. 978.
² GÓMEZ REDONDO, F., Historia de la prosa de los Reyes Católicos: el umbral del Renacimiento, tomo I, Madrid: Cátedra, 2012, p. 978.

Guillermo Fernando Arquero Caballero
UNED (Departamento de historia de la Educación)

Edições Modernas

AGUADÉ NIETO, Santiago, Libro y cultura italianos en la Corona de Castilla durante la Edad Media, Alcalá de Henares: Universidad de Alcalá de Henares, 1992

ALVAR EZQUERRA, Carlos, “La literatura europea en la biblioteca de Isabel la Católica”, en Ribot , Luis; Valdeón , Julio; Maza , Elena (eds.), Isabel la Católica y su época. Actas del congreso internacional, Valladolid-Barcelona-Granada 15 a 20 de noviembre de 2004 , Valladolid: Instituto Universitario de Historia Simancas, 2007, vol. 2, pp. 1221-1230

BADY, Guillaume, “La tradition des œuvres de Jean Chrysostome, entre transmission et transformation”. Revue des Études Byzantines , 68, 2010, pp. 148-163

BOUHOT, Jean-Paul, “Les traductions latines de Je Chrysostome du V e au XVI e siècle”. Traduction et traducteurs au Moten Age. Actes du colloque international du CNRS organisé à Paris, Institut de recherche et d´histoire des textes les 26-28 mai 1986 , París, 1989, pp. 31-39

GÓMEZ REDONDO, Fernando, Historia de la prosa medieval castellana, tomo III, los orígenes del Humanismo. El marco cultural de Enrique III y Juan II , Madrid: Cátedra, 200

_______, Historia de la prosa de los Reyes Católicos: el umbral del Renacimiento , tomo I, Madrid: Cátedra, 2012

LÓPEZ FERNÁNDEZ, Atanasio, “Confesores de la familia real de Castilla”. Archivo Ibero-Americano de Estudios históricos , año XVI, n. 91, enero-febrero/1929, pp. 5-75.

MONFASANI, John (ed.). Collectanea Trapenzuntiana, Texts, documents and bibliographies of George of Trebizond. Binghamton, New York, 1984

RUIZ GARCÍA, Elisa, Los libros de Isabel la Católica: arqueología de un patrimonio escrito , Salamanca: Instituto de Historia del Libro y de la Lectura, 2004

TONI, T. Don Rodrigo Sánchez de Arévalo (1404-1470). Su personalidad y actividades. El Tratado “De Pace et Bello”, (del Anuario de Historia del Derecho Español), Madrid, 1935

TRAME, R. H., Rodrigo Sánchez de Arévalo, 1404-1470, Spanish Diplomat and Champion of the Papacy, Washington, D. C.: Catholic University of America Press, 1958, Studies in Mediaeval History. New Series. Volume XV.

Trecho traduzido e modernizado

.ihesus.


Comiença se la omelia³ xxvjª de sant crisostomo sobre sant matheo.


Intrante autem in capharnaum venit ei centurio deprecans eum et dicens. Domine puer meus jacet in domo paraliticus et male torquetur. que quiere dezir. Entrando nuestro sennor en Cafarnao vino a el çenturio. esto es un grande ombre rogandole e diziendole. Sennor un moço mio yaze en mi casa paralitico e esta muy aquexado. Ya oystes commo Jhesu desçendiendo del monte allego a el un leproso. e agora aqui commo entrasse en Cafarnao vino a el aqueste çenturio. Aqui es dubda qual fue la cabsa. porque este nin aquel non sobieron a el al monte? A lo qual es de dezir. que non lo dexaron por nigligençia commo cada uno dellos oviesse ferviente fe. mas por non le fazer bolliçio estando el predicando. Pues allegose agora reverentemente çenturio e dixo. Sennor el mi moço yaze en casa paralitico e es malamente aquexado. Aqui dizen algunos que excusando a si mesmo çenturio en estas palabras dio la razon porque non avia traydo el moço. Ca non fuera cosa ligera levar tan / alexos el tollido que con dolores non pequennos era tanto agraviado. que se arrancavan ya del los postrimeros espiritus o rayos de vida. e que el fuesse en las postrimerias.  esto declaro sant Luchas diziendo. et erat mor<i>tu<v>us. Mas yo digo. que aquellas palabras fueron sennal de la su fe muy ençendida. la qual yo pienso aver seydo mayor mucho que la de aquellos que a outro tollido por el techo colgaron. Ca por quanto çenturio non dubdavit por la sola pallabra⁴ del sennor aquel que yazia enfermo se poder levanta. por esta razon penso non ser nesçessario de lo traher. Mas porque el sennor faze aqui lo que nunca ante fiziera? Ca commo ante a la voluntad de los suplicantes solamente obedesçiesse e aqui non solamente faze esto e promete de curar. mas aun a la casa de çenturio promete de yr. A lo qual es de dezir. que esto assi fizo por que nos sepamos quanta era la fe de aquel. Ca si assi non lo oviera fecho mas luego el moço oviesse sanado la linpia e feruiente fe de aquel non oviera seydo de nos conosçida. E aun esto mesmo aunque por contraria manera cumplio en aquella muger fenisa. ca aqui promete de yr a su casa non llamado. por que tu la grand fe e noble humildad de çenturio bien aprendas. E en aquella muger fenisa o cananea nego de fazer lo que pedia e aquella que con estante e afincadamente una e otra fe demandava espanto. Ca commo el sea fisico sabio e potente sabe bien sacar ligeramente cosas contrarias de contrarias. Assi que aqui de grado se ofresçio de yr a la casa del çenturio. e alli alongando e


³  Escrito sobre palavras riscadas: “el libro”.⁴  A primeira letra “l” foi emendada de um “b”.



Autor do Documento:
Tradução Alonso de Palenzuela
Título do Documento: Las homilías sobre el Evangelio de san Mateo de san Juan Crisóstomo
Data da composição: ca. 1449 e 1454
Local de Composição: Castela


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